Acessibilidade Mobile

“Ser mulher” é uma construção cultural, acontece no diálogo com a sociedade e nos grupos onde estamos inseridos, diz a Secretária de Educação, Adriane Zorzi

A segunda entrevistada deste especial sobre As Mulheres da Prefeitura (realizado para celebrar o Dia Internacional da Mulher, comemorado no último dia 8) é a Secretária de Educação e professora, Adriane Zorzi, 53 anos. A servidora é mais um exemplo de que garra e dedicação faz a diferença e que a educação é fundamental para informar e conscientizar sobre valores e principalmente, sobre a história de luta de todas as mulheres.                 

 

Quem é Adriane Zorzi  

 

Adriane é professora há 34 anos. É casada, tem três filhos e duas netas. Atuou em sala de aula, vice-direção, supervisão pedagógica, como secretária adjunta e agora secretária municipal. Trabalhou na rede estadual e particular, mas a maior parte, 30 anos, na rede municipal.       

 

Qual é o significado do dia 8 de março na tua vida?   

 

O dia 8 de março foi instituído para homenagear mulheres fortes e guerreiras, que lutavam por espaços justos e iguais. Hoje, cada uma de nós, mães, esposas, companheiras, profissionais, donas de casa, representam estas mulheres que, a cada ano, precisam enfrentar diferentes desafios. Para mim, 8 de março representa respeito, amor, reconhecimento de cada uma de nós por aquela pessoa que dá a luz a outra vida, prepara o alimento, cuida da roupa, traz o sustento para casa, chora, sofre, ama, tem cumplicidade, é companheira, parceira, empreendedora, lutadora, bem-sucedida. É o dia daquela mulher que luta muito para ter um espaço, para ser reconhecida, respeitada, amada e para sobreviver. Lembro de meu pai dando flores a minha mãe no dia da mulher e, quando crescemos, ele dava flores para nós também, num gesto simples, mas que nos mostrava que estávamos crescendo e que ele estava ali conosco, nos amando e mostrando o valor do papel da mulher na sua vida.    

 

Na opinião da senhora, o feminismo poderia ser considerado um dos pilares da educação? Qual é sua opinião sobre o assunto?  

 

Acredito que a educação é a base de todo e qualquer movimento e mudança. A imagem da mulher foi, por muito tempo, a figura responsável pela educação, primeiramente como mãe, em casa, e depois como professora, na escola.  Mesmo com as mudanças de perfis de famílias, as mulheres ainda são a grande maioria dos profissionais, que estão trabalhando diretamente com nossas crianças e adolescentes. Durante muitos anos, e não diferente hoje, observamos diferentes conceitos, ideias, sonhos, ideologias, acerca do que é ser mulher e dos seus papéis na sociedade. É importante que, nos espaços educativos, haja oportunidades de discussão a  respeito desta temática, tendo em vista que “ser mulher” é uma construção cultural, acontece no diálogo com a sociedade e nos grupos onde estamos inseridos.       

 

Sendo mulher, qual é seu principal sonho de mudança na sociedade?    

 

Meu maior sonho é uma sociedade com igualdade e equidade entre todos. Que todos sejamos SERES HUMANOS, indiferente do gênero. Se tivermos uma sociedade baseada no respeito às individualidades poderemos ser melhores, viver e conviver, num mundo de oportunidades para todos.    

 

Como é ser uma das mulheres à frente de uma das pastas do Governo Municipal?  

 

Estar na função de secretária é um grande desafio e privilégio. Em cada espaço que estamos ou nos cargos que ocupamos, apresentam-se diferentes desafios. Estou muito honrada e agradecida pela confiança depositada em mim pelo Prefeito Diogo Siqueira e pelo Vice Amarildo Lucatelli, pois a secretaria de educação abrange um número grande de pessoas e serviços. Em nosso município, esta pasta, tem sido gerida, predominantemente, por mulheres. A gestão da educação é grandiosa, são 44 escolas, cerca de 11300 alunos e 1800 profissionais, diretamente. E, indiretamente, são envolvidas muitas famílias, transportadores escolares, fornecedores de alimentos, materiais e serviços. Temos a preocupação de ofertar o melhor para nossos alunos e profissionais. Há alguns anos a educação do nosso município vem sendo referência e temos a responsabilidade de continuar e melhorar. Temos também o desafio de buscar alternativas para atender o número de migrantes que vêm de todas as regiões do país e imigrantes de outros países, bem como a grande procura, principalmente neste ano, de alunos oriundos de outras redes de ensino.     

 

Historicamente a mulher teve de enfrentar sociedades patriarcais e machistas até, aos poucos, conquistar um espaço de reconhecimento e liderança. Na tua visão, o que falta ainda para que tenhamos uma melhor igualdade de gênero e que a mulher conquiste um espaço ainda de mais reconhecimento?          

 

Acredito que, somente com respeito, podemos alcançar a igualdade de gênero e o respeito pelo outro, por sua história, por suas escolhas. Hoje temos muitas e grandes líderes, empreendedoras, gestoras, empresárias, mães, seja em diferentes espaços e profissões e muitas batalharam muito para alcançar este espaço. Precisamos da parceria da educação familiar e escolar, para formarmos cidadãos mais respeitosos e tolerantes. Só assim alcançaremos esta tão sonhada igualdade.          

  

Quais são as tuas influências femininas que consideras de extrema importância e por quê?   

 

As pessoas que me influenciaram como mulher foram minhas avós guerreiras, batalhadoras, sonhadoras e fortes, que, mesmo há 50 anos, já vislumbravam uma vida diferente para nós. Não posso deixar de mencionar minha mãe, que sempre me incentivou a buscar novos caminhos e espaços e me apoiou nas decisões e caminhadas. Além disso, lembro das muitas mulheres de quem fui colhendo inspirações para a minha vida e trajetória profissional e de grandes colegas do magistério, educadoras, gestoras.  

 

A senhora se considera uma mulher empoderada? 

 

Uma mulher empoderada é aquela que conquista seu espaço, que constrói sua vida pessoal e profissional com suas ações, conhecimentos e crenças, por isso me considero uma mulher empoderada. Mesmo com algumas dificuldades e com apoio irrestrito da minha família, nunca parei de estudar e buscar mais. Aos 17 anos, já estava trabalhando e de lá para cá, sempre fui abençoada com pessoas, espaços e oportunidades que me ajudaram a crescer pessoal e profissionalmente. Isso é empoderamento.

 

Quais foram os principais desafios vencidos, que no teu ver foram importantes na tua vida pessoal e profissional? 

 

Como milhões de mulheres, tive inúmeros desafios que, com muita força de vontade e apoio de muitas pessoas, se transformaram em conquistas. O primeiro grande desafio foi cursar minha graduação, que na época só era ofertada em Caxias do Sul. Foram 5 anos de aulas presenciais, concomitantes com um e depois dois turnos de trabalho, além das preocupações com o valor da mensalidade, o valor da passagem e com a maternidade. Aproveitava o tempo na estrada para planejar as aulas e estudar para, no tempo em casa, poder ficar com os filhos. Acredito ser muito abençoada, pois a cada desafio que surgia, alguém aparecia para me auxiliar. Hoje, revisitando a minha vida, percebo que cada um dos momentos fizeram a diferença pessoal e profissionalmente e que, quando estamos em meio a uma situação, não percebemos o quanto podemos aprender e crescer com ela. Que cada mulher possa buscar sempre um novo espaço e que nunca deixe de lutar e estudar, para não parar de crescer.     

 

 

Que mensagem a senhora deixa para as mulheres que estiverem lendo essa entrevista?  

 

Se hoje, minhas alunas do curso de Pedagogia estivessem aqui escrevendo comigo, certamente lembrariam de algumas falas minhas para elas: “Meninas: por mais que estejam com dificuldades, nunca parem de estudar, pois quem tem conhecimento tem o poder de argumentar e crescer; e que a diversidade nos completa, pois cada um com suas habilidades e saberes, faz a diferença no espaço onde está inserido”.       

 

Assessoria de Comunicação Social Prefeitura 

Texto: Rodrigo De Marco