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SAE/CTA da Secretaria de Saúde reforça os cuidados e prevenções sobre a AIDS

Equipe técnica promove no dia 06 de dezembro ação na Via Del Vino com testes rápidos e esclarecimento de dúvidas

Nesta segunda-feira, 1º de dezembro, é o Dia Mundial de Combate à AIDS. A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida é um mal que vem assombrando a população mundial desde que surgiu no início da década de 1980. De lá para cá, a ciência avançou muito nos cuidados de quem é portador. No entanto, sempre é válido reforçar seus cuidados para não contrair e prevenir.

A Secretaria de Saúde, por meio do Serviço de Atendimento Especializado/Centro de Testagem e Aconselhamento (SAE/CTA) atende pessoas que vivem com HIV/AIDS, hepatites virais e tuberculose.

Para entender um pouco mais sobre a diferença de HIV e AIDS: quando se faz um diagnóstico cedo, sem infecções, a pessoa é apenas portadora do vírus HIV e iniciará tratamento com os antirretrovirais e não ficará doente. Mas quando o diagnóstico é tardio, e o indivíduo apresenta outras doenças (tuberculose, meningite e outras infecções), já será considerado caso de AIDS.

Acrescentando, as formas de que não ocorre transmissão do vírus: suor, lágrima, aperto de mão, abraço, sabonete, toalhas, talheres, copos, chimarrão, picada de inseto, assentos, piscinas e banheiros, a fim de desmistificar preconceitos sobre o HIV.

E, para esclarecer, as formas de transmissão do HIV ocorrem da seguinte forma: sexo desprotegido, expondo homens e mulheres de qualquer idade, independente do tipo de relação sexual que praticam (vaginal, oral e anal); da mãe para o filho na gestação, parto e amamentação; compartilhando materiais que apresentam sangue (cachimbo do crack, canudo de aspirar cocaína e drogas injetáveis).

“A melhor forma de prevenção é o uso de preservativo. Mas hoje trabalhamos com a prevenção combinada, que além da camisinha, temos a oferta dos testes rápidos e o tratamento adequado do diagnóstico das outras Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST), entre outras”, destaca Adriana Cirolini, coordenadora do SAE/CTA.

O Ministério da Saúde define a prevenção combinada como estratégia de intervenções, aplicadas no nível dos indivíduos, de suas relações e dos grupos sociais a que pertencem, mediante ações que levem em consideração as necessidades e especificidades e as formas de transmissão do vírus HIV.

Diante disso, são apresentadas as intervenções biomédicas, como a profilaxia pós-exposição (PEP) e a pré-exposição (PREP). Ambas as situações podem ser atendidas no serviço público como no privado. A PEP deve iniciar até 72 horas após a exposição, com duração de 28 dias de tratamento. Já a PREP, é uso contínuo ou sob demanda, o usuário define o tempo de tratamento. Mas deverá ter rigor nas consultas médicas e exames anti-HIV.

Aliada a todas as formas de prevenção, é importante destacar, quanto à transmissão vertical (da mãe para o filho), que não há mais transmissão do vírus HIV para as crianças, desde 2005, devido ao tratamento adequado na gestação, no parto e evitando amamentação (há entrega de fórmula infantil a esta criança).

Todos esses cuidados reduziram e mantêm em zero os casos de crianças com diagnóstico positivo para o HIV. Ressalta-se que em 2023, o município de Bento Gonçalves recebeu a Certificação da Eliminação da Transmissão Vertical, em consonância com os critérios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e da Organização PanAmericana de Saúde (OPAS).

Para reforçar os cuidados, será realizada a atividade, neste sábado, dia 06 de dezembro, de testagem rápida na Via Del Vino com oferta dos testes rápidos de HIV, Sífilis, Hepatite B e C, das 08 às 12 horas. Profissionais de saúde estarão disponíveis para esclarecer dúvidas e orientar sobre prevenção. Lembrando, que os testes rápidos estão sempre disponíveis em todos os Serviços de Saúde da rede.

Dados da AIDS

Em Bento Gonçalves, os dados referentes à AIDS foram elaborados pela Vigilância Epidemiológica a partir da revisão histórica dos casos de AIDS e de HIV residentes no município e ocorridos no período de 40 anos, compreendidos entre 1986 a 2025 (parcial para 2025), por meio do Sistema de Informações sobre Agravos de Notificação (SINAN), e o Sistema de Informações sobre Mortalidade (SIM).

As taxas de crescimento da AIDS cresceu consideravelmente até o final da segunda década de 2000. No entanto, Nos primeiros anos de 2020-2025, a incidência média dos casos de HIV-AIDS caiu 59,4%, chegando a 9,9 casos por 100.000 habitantes. Essa mesma tendência de queda também se observa no estado e no país. Em Bento, se deve à mudança no protocolo de tratamento da infecção que, desde 2012, passou a recomendar o uso dos antirretrovirais para todas as pessoas portadoras do vírus HIV, e, não apenas para os doentes, como vinha ocorrendo, até então.

No que concerne a questão dos sexos, os homens são mais afetados pelo HIV, correspondendo a 59% dos casos.

No entanto, nota-se uma crescente em mulheres infectadas e doentes nos últimos anos. Na década de 90, existiam 28 homens infectados para cada 10 mulheres no município (razão de 2,8 homens para 1 mulher). Na década de 2010, a relação homem X mulher caiu para 14 homens para cada 10 mulheres doentes (razão de 1,4 homem para 1 mulher), demonstrando a tendência de feminização da doença. A incidência feminina aumentou 63,8% entre as décadas de 2000-009 e 2010-2019. Esses dados mostram que as mulheres necessitam se conscientizar sobre os meios de prevenção da doença, principalmente, no que se refere ao uso de preservativo nas relações sexuais com os seus parceiros.

Já na faixa etária considerada jovem, são a população com a maior taxa de casos. Os adultos jovens entre 20 a 39 anos de idade correspondem a 56,5% do total de pessoas doentes e infectadas pelo HIV em Bento Gonçalves. Entretanto, o maior crescimento da incidência ocorreu entre os adolescentes: 246,6%.

Outro dado relevante é sobre o aumento de HIV-AIDS na terceira idade, sendo que os primeiros casos tenham surgido na década de 2000-2009, tendo sido registrado 7 casos. Infelizmente, a incidência média vem aumentando, passando de 7,2 para 14,0/100.000 habitantes, representando um aumento de 94,2% entre a década de 2000-2009 e os primeiros seis anos da década de 2020-2025.

Conforme o estudo, os dados indicam que as relações sexuais sem o uso de preservativo é o principal fator de transmissão alcançando 77,9% do total.