Nesta segunda-feira (8), é celebrado o Dia Internacional da Mulher, e para lembrar a data conversamos com as mulheres que fazem a diferença na Prefeitura. São perfis diferentes de liderança, cada uma no seu estilo e modo de fazer. Elas são responsáveis por liderar com exímia competência cada desafio diário de suas respectivas funções. São extraordinárias desbravadoras e estão fazendo história junto a um governo de todos e que faz para todos. Entendemos que o empoderamento da mulher é importante para que tenhamos uma sociedade mais justa e igualitária, e isso inclui a presença feminina em destaque. As entrevistas serão publicadas ao longo de todo o mês de março, sendo duas por semana.
Para abrir a seção de entrevistas, vamos conhecer um pouco da Coordenadora do Centro de Referência da Mulher que Vivencia Violência (Revivi) e da Coordenadoria da Mulher, Patrícia Da Rold, 46 anos, que após sete anos se dedicando ao serviço público, em fevereiro deste ano assumiu o desafio de estar à frente da missão de proteger a mulher bento-gonçalvense.
Quem é Patrícia Da Rold
Natural de Bento Gonçalves, residiu em Medianeira-PR e Cuiabá-MT por alguns anos, retornando a Bento Gonçalves durante a adolescência. É casada há 24 anos e tem um filho. Cursou Administração de empresas na UCS, trabalhou no setor privado em diversas áreas, tendo nos últimos 7 anos trabalhado no setor público, na direção de Projetos da Secretaria da Cultura e Fundação Casa das Artes, setor de compras da Secretaria de Finanças e Coordenação da Praça CEU (Centro de Artes e Esportes Unificados).
Qual é o significado do dia 8 de março na tua vida?
O dia 8 de março simboliza para mim a luta da mulher pela igualdade de direitos, pelo fim da violência e da discriminação. É um dia que me faz refletir sobre as mulheres que lutaram pelas conquistas que temos hoje e sobre a responsabilidade que temos de dar continuidade a esse movimento.
Em fevereiro deste ano a senhora assumiu a Coordenadoria da Mulher e o Centro Revivi, desempenhando uma função de extrema importância na defesa das mulheres. De que forma a senhora encara esse desafio?
Todos os desafios que surgiram em minha vida eu encarei como oportunidades de crescimento pessoal, aprendizado e de demonstração da minha capacidade, sempre me doando por inteiro. Nessa função especificamente, tenho uma motivação a mais, já que sou mulher e me vejo em cada vítima atendida, o que faz com que tenha mais garra para coordenar a equipe no sentido de buscar atender as demandas com afinco e perfeição, lutando pela justiça, pela garantia dos direitos da mulher.
Quais são teus principais objetivos na função de coordenadora do Centro Revivi e da Coordenadoria da Mulher?
Os principais objetivos são trabalhar na prevenção à violência, no fim da discriminação nas mais diferentes formas, na garantia de direitos, na busca por políticas públicas que venham ao encontro às necessidades das mulheres e cada vez mais nos atendimentos, assistindo, monitorando e encaminhando as vítimas para os serviços de rede. Vamos buscar o aumento de canais de comunicação para facilitar que mais mulheres cheguem até nós, incluindo ações pontuais que nos levem até elas nas mais diversas regiões da cidade.
Sendo mulher, qual é seu principal sonho de mudança na sociedade?
Eu sonho com uma sociedade mais justa, igualitária, onde as mulheres tenham seus direitos respeitados, não sofram a violência gerada pela cultura machista e a desigualdade e discriminação nas mais variadas formas em função de sua orientação sexual, etnia ou classe social.
Como é ser uma das mulheres à frente de uma das pastas do Governo Municipal?
É uma honra muito grande ser convidada para integrar a Administração Municipal estando à frente desses dois órgãos, assim como é uma responsabilidade muito grande também. Porém me sinto tranquila e preparada para executar minhas funções retribuindo a confiança a mim depositada pelo nosso prefeito Diogo Segabinazzi Siqueira e vice-prefeito Amarildo Lucatelli.
Historicamente a mulher teve de enfrentar sociedades patriarcais e machistas até, aos poucos, conquistar um espaço de reconhecimento e liderança. Na tua visão, o que falta ainda para que tenhamos uma melhor igualdade de gênero e que a mulher conquiste um espaço ainda de mais reconhecimento?
Entendo que mesmo com toda as conquistas, os problemas ainda estão presentes na realidade das mulheres a nível mundial, tendo como causa o machismo, que é cultural e que deve ser tratado com a gravidade que tem, de forma contínua e com a união de esforços para através da educação e de punições mais severas, ser possível modificar esse cenário.
Quais são as tuas influências femininas que consideras de extrema importância e por quê?
Eu poderia falar de diversas mulheres famosas por sua história, mas não seria justo, pois as minhas influências femininas são as mulheres da minha família. Cito minha avó paterna, Rodezina Da Rold, que esteve à frente de seu tempo, instruindo minha tia há mais de 65 anos a ter profissão, trabalhar, dirigir e não depender do dinheiro do marido, orientação essa que repassava às netas. Após ficar viúva ela também dedicou por volta de 30 anos de sua vida ao voluntariado, sendo vice-presidente da Ação Social São Roque, entendendo seu papel na sociedade e só parando aos 90 anos, após perder meu pai, seu filho. E falo também da minha mãe, Denise Berto Da Rold, uma mulher forte que perdeu quase toda a família em um acidente durante minha gravidez e teve forças para lutar pela minha vida, cuidar da minha irmã mais velha e abrigar um irmão dela em nossa casa, deixando sempre sua dor de lado para cuidar de todos nós.
Você se considera uma mulher empoderada?
Sim, eu me considero. Passei por fases difíceis em minha vida, como todas as mulheres passam de uma forma ou de outra e o que faz a diferença é em como ressignificamos essas fases. No meu caso sempre busquei não depender de ninguém, sendo independente, me desafiando a sair mais forte e segura das situações difíceis, com gana de vencer, de ser feliz sempre com muito amor próprio.
Quais foram os principais desafios vencidos, que no teu ver foram importantes para te transformar numa mulher de fibra?
Eu fui uma adolescente tímida e introvertida, comecei a trabalhar cedo com meu pai e meu melhor amigo, Ivo A. Da Rold, que me ensinou muito sobre a importância de ter responsabilidades e de superar minhas dificuldades encarando os problemas de frente e credito a ele o meu desenvolvimento pessoal. Mas foi ao presenciar a perda repentina do meu pai que enfrentei meu maior desafio, pois junto a dor do momento tinha em mente tudo que ele sempre me ensinou sobre a necessidade de se manter firme e forte diante das piores situações. Sinto orgulho de ter me tornado a mulher determinada e de fibra que meu pai preparou para a vida e agradeço muito por ter tido ele em minha vida.
Que mensagem você deixa para as mulheres que estiverem lendo essa entrevista?
Eu quero dizer a todas as mulheres do município que o Centro Revivi e a Coordenadoria da Mulher existem por elas e para elas. Temos uma equipe extremamente qualificada, formada por técnicas nas áreas de assistência social, psicologia e direito à disposição para acolher, assistir, orientar e encaminhar todas as demandas que chegam até nós, sempre com muita responsabilidade e carinho. As mulheres bento-gonçalvenses podem se sentir tranquilas e protegidas, pois tem quem olhe por elas.
CONTATOS
A Coordenadoria da Mulher e o Centro REVIVI estão vinculados a Secretaria de Esportes e Desenvolvimento Social (SEDES) e trabalham em conjunto a Delegacia da Mulher (DEAM), Patrulha Maria da Penha, Ministério Público, Defensoria Pública e Fórum.
Endereço: Rua 10 de Novembro, 190, bairro Cidade Alta, localizados no Complexo Administrativo da Prefeitura.
3055-7420 / 3055-7418 / 9 9132-8148
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Atendimento – segunda a sexta: 8h às 17h30, sem fechar ao meio-dia
Assessoria de Comunicação Social Prefeitura
Texto: Rodrigo De Marco



