Em 2025, mais de 700 alunos participaram e desenvolveram diversas linguagens artísticas demonstrando domínio, criatividade e personalidade em cena e nos trabalhos visuais
O saguão na Fundação Casa das Artes, nesta segunda-feira, 24 de novembro, era de expectativa e de alegria por parte dos familiares e amigos dos alunos das oficinas. A atmosfera era de formatura, onde diversas mães e pais traziam em mãos ramalhetes de flores ou presentes para serem dados ao final do espetáculo de encerramento. Tendo iniciado às 19h, o Anfiteatro Ivo Antônio Da Rold ficou lotado para presenciar a conclusão, a conquista de um percurso dentro e aprendizados culturais, essenciais para a vida.
Antes de abrir as portas, os olhos do público estavam conferindo o movimento de professores e alunos, muitos já com o figurino, dando uma amostra do que iria acontecer em cena. Eram os últimos detalhes, as últimas orientações, para ficar de acordo com o roteiro organizado pela coordenadora das Oficinas e mestre de cerimônias, Adriana Raffainer, e pela supervisora cultural, Marli Marangoni Tasca. O sobe e desce pelo prédio já passava a energia.
Douglas Casal tem três filhas, a do meio e a mais velha estavam no checklist no Jazz, Ballet e Música e as acompanhou na preparação do figurino, maquiagem, compartilhando desse momento pré-entrada no palco.
“Primeiro ter ocupação com a cultura, na nossa família sempre muito importante ter esse contato e elas sempre demonstraram interesse. É celebrar toda a formação que tiveram ao longo do ano A apresentação é muito bonita, pois já vimos no ano passado com a nossa terceira filha.”, enfatiza.
Isadora Knebel esteve cursando a Oficina de Teatro, com a professora Måhrcia Carraro, pela primeira vez. Ela é super fã das linguagens artísticas, tendo escrito a obra de fantasia “O Palácio de chamas”, aos quinze anos e lançado na 40º Feira do Livro, ou seja, 2025 é um ano puramente imerso nas narrativas. Com o coração batendo forte e vestida de pirata, sua esquete, encenada nos camarotes do Anfiteatro entre foi dois momentos, de Dança e de Música.
“Para mim, fazer teatro era uma ambição, um desejo que eu tinha. É muito gratificante por estar aqui e basicamente é um sonho”, diz Isadora prevendo outros voos profissionais em sua multicarreira.
Yasmin Roman Zandonai Vilanova tem 26 anos e atualmente trabalha no setor de marketing de uma vinícola. Também estava pela primeira vez ingressando no universo das linguagens ofercidadas pela Casa das Artes, tendo realizado Teatro Adulto, com a professora e atriz Mônica Blume. A performance tinha uma fusão de recursos estéticos como dança e poesia.
“Foi muito legal e voltar a fazer arte é uma experiência engrandecedora. É muito bom contar com o município para termos essas experiências que nos dizem tanto. Nosso grupo está bem animado”, salienta.
Fazer parte de oficina é buscar conhecimentos, desenvolver habilidades cognitivas e físicas, é desafiar a si próprio, é estar no movimento histórico da relação do ser humano com a arte. No ano ainda vigente, a oferta foi abrangente e descentralizada com 35 modalidades de oficinas, divididas em 67 horários, na sede, na Praça CEU, nos Centros Culturais Tuiuty e 20 de Novembro e no Ponto de Memória e Cultura Vale dos Vinhedos, contemplando dos três anos até a melhor idade, conforme relação de instrutores/oficinas abaixo, no período de abril a novembro.
“As Oficinas do Programa de Qualificação Artística e Cultura são oferecidas no intuito de intensificar o desenvolvimento da cultura por meio de ações formativas e informativas, com vistas à participação do indivíduo e grupo num processo que fortaleça a identidade, a integração, o resgate da cidadania e, consequentemente, a melhoria da qualidade de vida”, destaca Marli Cristina Tasca Marangoni.
Para a noite de estreia dos 700 alunos matriculados, do iniciante ao mestre, a coordenação propôs o tema “O Universo Mágico das Cores”. Em todas as oficinas, os professores transversalizaram esta temática, cada qual trabalhando com os alunos em sua área. Sendo no palco ou nos trabalhos em exposição no Hall de Entrada, tem-se um painel de construção, como se todos fizessem parte do mesmo patrimônio pulsante e vibrante de criação simbólica.
“É o grande momento de nossos alunos, onde eles mostram o seu empenho, dedicação e talento. O nosso espetáculo tem a característica de ser passagem ritualística, pois eles se apropriam de conhecimentos e metodologias e as recriam com o seu jeito, o seu estilo, para o seu crescimento de vida. É momento de sua graduação”, expressa Adriana Raffainer, Coordenadora das Oficinas.
O alcance das oficinas dentro da comunidade de Bento Gonçalves consolida a efetiva cidadania cultural, sendo eixo de desenvolvimento transversal com outras áreas como a Educação, a Saúde e o Social. Isso faz parte da gestão de um sonho que nasceu no movimento que norteou na criação da Fundação Casa das Artes em 1986, projeção de cenário usufruído nos seus quase quarenta anos de existência.
Presente na cerimônia de encerramento, o então prefeito da época Aido José Bertuol deixou sua mensagem aos presentes.
“É uma alegria de estar aqui. Fico muito emocionado de ver a casa cheia. É uma felicidade que compartilho com todas as famílias. É um sonho de proporcionar uma casa para que as crianças pudessem manifestar suas habilidades artísticas e culturais. É o fruto de um trabalho de quarenta anos. Parabéns a todos por terem dado continuidade a este belo trabalho de fortalecer a nossa relação com a cultura”.
O Secretário de Cultura Evandro Soares falou que as oficinas vão de encontro as necessidades da comunidade. Em seu pronunciamento, onde compartilhou das palavras de Aido, expressou sua alegria e comprometimento institucional.
“Esse momento que temos é muito importante no nosso trabalho do desenvolvimento artístico, que fala diretamente à formação e qualificação de nossas habilidades inerentes. Hoje temos muitas famílias aqui para prestigiar: muito obrigado pela confiança e pela credibilidade. Hoje, estamos dentro de um sonho, somos protagonistas dele: de ter espaço frequentado pela nossa comunidade e ser referência para a região da Serra, cumprindo com o o seu objetivo de acessibilizar, aproximar e ampliar os mecanismos de fruição e serviços dos bens culturais, como está na gênese da Fundação”.
O Prefeito Diogo Segabinazzi Siqueira, juntamente com a Primeira-dama Cláudia Remus, acompanhou as 31 apresentações. Em seu proferimento, exaltou a iniciativa dos pais e familiares de participarem da evolução de seus pequenos e adolescentes por meio da arte.
“Cumprimento a toda equipe da Secretaria de Cultura por organizar esse belo e fundamental momento para a nossa comunidade. Temos aula de violão, de canto, de ballet, pintura, susbsidado pela Prefeitura. Aqui, o que vamos presencia é fruto do trabalho de cada cidadão. Eu não conheço uma cidade que tenha um espaço como a nossa. Muito obrigado a todos os pais que estão aqui pois estamos elevando o patamar de Bento Gonçalves. Obrigado do fundo do coração a incentivar os filhos a terem aulas aqui, vai somar muito na vida, pois fala diretamente ao pensamento crítico e as relações humanas, pois traz discernimento, sensibilidade e ética”.









